NASCEU CAMPEÃO

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27 de jun de 2010

OITAVAS - JOGO 3 - ALEMANHA x INGLATERRA

Eis o primeiro jogo entre grandes nesta Copa. Tivemos, é verdade, o embate entre o bi-campeão do passado Uruguai e a decadence sans elegance da França, na primeira fase. Aquele jogo, contudo, não decidia nada, e este combate mandaria um dos ex-campeões de volta pra casa.
O primeiro tempo foi da Alemanha. Os germânicos trocavam passes, passavam curto, e embora com posse de bola um pouco menor, parecia que a bola só ficava em seus pés. Os ingleses alongavam as bolas, em lançamentos longos que invariavelmente tinham destino errado.
Embora dominando a bola e jogando bonito, o placar foi aberto num típico gol germânico. Chutão do goleiro, Klose ganhou na força e na vontade, e com apenas um toque desviou de James: 1X0 Alemanha.
Já o segundo gol bem representou o que foi o jogo nesta etapa. Após tabela pela esquerda, entre Ozil, Klose, Muller, a bola chegou a Podolski, que fuzilou. 2X0. O jogo parecia acabado aos 32'.
Eis que tal qual a criação da inglesa Mary Shelley, um Frankenstein redivivo, a Inglaterra aos 35' teve seu gol evitado por boa intervenção de Neuer. Aos 37', Upson diminui o placar após cruzamento de Gerrard. Um minuto depois...

Aos 38', Lampard executou maravilhosa conclusão de fora da área, a bola bate no travessão e entra um meio metro, o bandeira não vê!!! O Larrionda já deve ter começado a empacotar suas coisas para voltar ao Uruguai. Não apita mais nem par ou ímpar nesta Copa.
Uma injustiça corrige outra injustiça histórica? Lembremo-nos da Copa de 1966, na Inglaterra. Final. Tempo normal: Inglaterra 2X2 Alemanha. Prorrogação. Aos 8 minutos, Hurst chuta uma bola na trave, ela bate sobre a linha, mas o juiz dá gol. Inglaterra campeã do mundo com um gol que não foi. Foi hoje a reparação, 44 anos depois? Essa injustiça pode ser por isso relevada?
Tudo bem. Acabou o primeiro tempo em 2X1; moralmente, para lembrar Claudio Coutinho, o jogo estava empatado.
No segundo tempo, todo mundo haveria de pensar que agora, com os brios eriçados, the English Team voltaria comendo a bola, ou, ao menos, comendo a grama. Foi o exato oposto. A Alemanha pareceu desagravada por esse gol não marcado, pareceu dar ainda mais valor a ambos os erros e valorizar este equívoco, e dizer que o que realmente vale é quem, ao final, ganha o jogo, e que o futebol é assim mesmo, apenas um jogo.
Para enterrar o Frankenstein que por breves momentos pôde gritar, como no filme de James Whale: "It's alive, It's alive", Müller fez dois outros gols e decretou inapeláveis 4X1 para os alemães. Um jogaço. O melhor da Copa do Mundo, sem dúvida nenhuma.
A Alemanha, jogando como jogou hoje - para parafrasear um manezinho que conheci quando Guga estava no auge, em uma tenda no Largo da Alfândega, em Floripa, e perdia um game no saque do adversário por 40X0, sentenciou categórico: não pega mais (com sotaque manezinho - não pega max) - não perde mais, nem da Argentina, nem do Brasil. O único problema é jogar sempre como jogou hoje. É isso. Agora, às 15h30, tenho que acompanhar meu time contra o México.

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