NASCEU CAMPEÃO

Tu és a glória dos teus fundadores

17 de out de 2010

TÔ INDO PRA FINAL!!! A VIDA DURA, NA VERDADE, 90 MINUTOS

Acordei já na empolgação do jogo. Fiquei ontem a noite pensando no JEC, na sua história, nas nossas conquistas. Tudo na preparação para esse jogo de daqui a pouco. Vieram-me a cabeça histórias passadas em mais de 25 anos nas arquibancadas, torcendo pelo Tricolor.

Lembrei-me de jogos inesquecíveis no Ernestão, principalmente: um JEC e Corinthians embaixo de muita chuva, que vencemos por um a zero com gol de Paulo Egídio a um minuto de jogo; outro JEC e Corinthians que por causa de tanta serração, foi necessário queimar pneus para que o jogo pudesse acontecer; outro ainda contra esse mesmo time, em que vencemos por 2 a 1, e no final do jogo o Casão ou o Edson chutou a bola para fora do Ernesto Schlemm Sobrinho; o Casagrande disse que nunca mais pisaria na nossa cidade. A propósito, como o Corinthians era nosso freguês na década de 80!!!!

Outro jogo memorável, em que estive com meu pai, irmão, um tio e um grande amigo, no distante 1986, quando ainda era possível não só comprar bebida no Estádio, mas levar o seu próprio goró para dentro do campo.
Nesse jogo, JEC 1x2 Flamengo (uma das raras derrotas em casa naqueles tempos gloriosos), em que apesar do mau resultado, nosso avante Mirandinha fez o gol que foi escolhido o "gol do Fantástico", os adultos - eu tinha uns 9 anos - levaram um Samba, drinque "marvado" feito de cachaça com Coca-Cola, de um litro e meio, preparado em garrafa plástica de água mineral.
Terminada a bebida, e dada a dificuldade de mijar no Ernestão lotado - quando vazio era fácil, era só virar ao contrário na arquibancada, botar as pernas pra baixo das metálicas e descarregar o excesso de líquido proveniente da ingestão exagerada das mais vagabundas misturas alcóolicas - veio a luminosa ideia de porco de meu tio de encher a tal garrafa com mijo e jogá-la no bandeira (ainda não havia a viadagem de chamar bandeirinha de assistente). Tão logo a garrafa foi arremessada, a rolha improvisada com um pedaço de papel caiu e a garrafa saiu girando, parecendo uma metralhadora mijatória, molhando metade da torcida naquela arquibancada.

Veio, ainda, à mente, o primeiro jogo a que fui, em que muito criança, com três ou quatro anos, ao ver a metálica, disse a meu pai que não subiria naquela "montanha". No intervalo, ainda por cima, pedi pra cagar - o que obviamente me foi negado.
Seriam muitas as histórias, muitas alegrias, muitas tristezas a serem contadas. Cada um, cada torcedor do JEC teria as suas para contar; quando pensamos nisso tudo, quando cada qual pensa nas suas próprias histórias de arquibancada, mais cresce a importância do jogo de daqui a pouco.


Vamos entrar pra história como esses onze! JEC, AVANTE!
A verdade - penso eu -  é que muito do caráter de um homem se forma nas arquibancadas de um jogo de futebol. Muito de nossa vida se decide a cada 90 minutos, a cada jogo que frequentamos. As vitórias, as derrotas, a amizade com o torcedor ao seu lado, quase sempre um completo desconhecido. O xingamento novo, o gol decisivo, a bola na trave quando o gol nos salvaria. O reencontro com um conhecido há muito desaparecido. A cerveja quente e amarga depois da derrota, ou suave depois daquele título...
Um homem sério toma muitas decisões na vida. Muda de cidade, muda de vida, casa-se, separa-se, muda de mulher, de religião. Mas um homem sério, homem na acepção da palavra, não muda de time. E a cada 90 minutos, joga sua vida, suas convicções, suas alegrias e frustrações, põe tudo de si naquele espaço de uma hora e meia que o define.
Não sei se foi um inglês ou um escocês que disse, e nem sei se a frase é exatamente esta, mas lá vai: o futebol não é uma questão de vida ou morte; é muito mais do que isso. Quando, a cada jogo, um homem veste a camisa de seu time e se dirige ao Estádio, ele enverga não só uma camisa, mas todas as suas convicções, seus valores.

É como no tango Por una cabeza, de Carlos Gardel: "pero se algun pingo, llega a ser fija al domingo, yo me pongo entero, que le voy hacer?". Uma tradução muito livre, eis que lá se fala de corridas de cavalos, e aqui de futebol, seria: mas se algum matungo [um time qualquer] for barbada - ou mesmo zebra, digo eu - no domingo, eu jogo tudo que tenho, que posso fazer?

Pois agora coloco a camisa do Joinville Esporte Clube - o nosso JEC - e me preparo para, com radinho e esperança no bolso, entrar no carro e rumar para o Estádio para torcer para o meu time subir para a Série C, mesmo sabendo que esse não é o grande time de outras horas (mas é o meu time) e só posso pensar: "Yo me pongo entero, que le voy hacer?".
AVANTE, JEC!

Um comentário:

  1. Tô por aqui de tanta decepção, colega. Mas nós somos torcedores, e com certeza na primeira partida do Estadual vai estar todo mundo lá de novo, cantando e apoiando. Nesse período, alguns conceitos devem ser repensados. O Nereu Futebol Clube tem de parar de trazer jogadores amarelões (Marcelo Silva, Pantico e companhia). Parece que já estão fazendo errado, trazendo o Lima - não é com essa figura que o JEC vai pra frente, é a realidade.

    Duas coisas se confirmaram ontem: primeiro, o meu temor de que o Joinville não alcançasse um resultado positivo no primeiro jogo. Esse grupo é um grupo com dois fracassos consecutivos no currículo. Isso poderia contribuir para que o grupo ficasse nervoso, e ficou mesmo nervoso. Segunda coisa que se confirma: a decadência do Joinville na hora errada. O Caxias tá com todo fôlego, posso apostar que vão conseguir os dois acessos e chegar à Divisão Principal de 2012. Ou o Joinville triunfa na série D do ano que vem, ou poderá chegar em 2012 em pé de igualdade com o Caxias em termos de calendário. E aí, meu amigo, muita gente de saco cheio com esse time que sempre amarela em decisões poderá debandar para o Gualicho do Ernestão. Acorda, Joinville! Tá na hora de acordar!

    Só pra encerrar, a torcida também tem que rever alguns conceitos. Principalmente aquela que se diz fanática. Jogaram um rojão, uma bomba ou sei lá o quê em campo. Vergonhoso. E depois queriam brigar com a polícia. Vexame. Também temos que mudar - acreditar nesse papo de favoritismo não leva a nada. Favorito é aquele que entra em campo como quem vai atrás de um prato de comida. O américa entrou pilhado, com vontade de vencer. Venceram. Vou começar a dar razão aos corneteiros: tem mais é que vaiar, tem mais é que xingar. Um time desses não merece a torcida que tem. Jogaram sem vontade, Tesser Mal, Ricardinho mal - cadê os craques? Vergonha total.

    Esperemos agora 2011, e com a ceteza de algumas coisas: 1 - certamente ficaremos mais um ano na fila do catarinense, sem chance de brigar com Figueirense ou o ascendente Criciuma (acho que a fase do Avaí acabou). 2 - Todo respeito ao Imbituba, Metropolitano e os dois que subirem à Divisão Principal. É com eles o nosso campeonato. Mesmo diante de uma eventual boa fase do Joinville no Estadual, nada de achar que já garantiu a vaga. Já vimos o que deu em 2009, quando a torcida achava que o time seria campeão e ficou fora de série, perdendo a vaga para um time que depois honrou a vaga conquistada - diferente do Joinville, que deu vexame. Então, todo respeito a esses times - RESPEITO, palavra importante, palavra de ordem daqui em diante. Afinal de contas, arrogância tem sido marca registrada de algumas figuras da imprensa, da diretoria e também da torcida (confesso, até eu fui arrogante em alguns momentos, achando que a vaga já estava ganha). Daqui para a frente, devemos nos lembrar que torcemos para o Joinville, não para o Manchester.

    Se você mantiver o blog, volto lá por janeiro, quando estiver começando o Estadual. Até lá quero deletar o tema Joinville da minha memória. Neste ano, foram semanas e semanas de ansiedade que resultaram num dia de decepção, frustração, TRISTEZA. Não quero ficar estes dois meses divagando sobre o Joinville, uma experiência que tem se tornado improfícua nos últimos anos.

    Até mais.

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