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7 de jul de 2010

SEMIFINAL 2 - ALEMANHA x ESPANHA

Se fosse uma tourada, os primeiros lances da partida seriam tramados ao som de Olés. Aos 13' a Espanha já tinha criado duas chances claríssimas de gol, uma com Villa, na cara de Neuer, após belo lançamento de Pedro. Depois, em outra jogadaça pela esquerda, Iniesta cruzou e Puyol, sozinho, perdeu, de cabeça, gol fácil. A Alemanha só aos 15' criou alguma coisa, em dois escanteios seguidos. A posse de bola espanhola girava em torno de 65%, um baile ao som de castanholas.
Somente aos 31' a Alemanha conseguiu um chute a gol, perigosamente, com Trochowski.
O jogo foi um nocaute técnico, no primeiro tempo; a Alemanha embora acuada, malgrado nunca tivesse contra si aberta a contagem.
O segundo tempo começou do mesmo jeito, ou seja, com amplo domínio espanhol. A pragmática Alemanha mostrava sua cara, o empate lhe parecia confortável - e a sua única boa possibilidade no prélio.
Em 13 minutos, no entanto, a Espanha criou 6 boas chances de gol. Aquela Alemanha das goleadas simplesmente não existia até então. Chutes tedescos até essa hora, pasmem - dois, em 60 minutos. Aos 23' do 2° Tempo a Alemanha teve sua grande chance, com Kroos, e Casillas apareceu no jogo com grande defesa.
Até que enfim, aos 27', gol merecidíssimo da Espanha, numa cobrança de escanteio de Xavi, Puyou decolou e cabeceou para o fundo das redes bárbaras. Um a zero era muito pouco pelo que houve até então na peleja. Não deve ser muito fácil manter-se unicamente na defesa durante noventa minutos, e nem os concentrados alemães suportaram tamanha pressão. O Gol espanhol nada mais fez do que justiça. A Alemanha ofensiva e brilhante dos jogos anteriores sucumbiu ante um adversário muito mais brilhante, superior de um jeito vergonhoso para a Alemanha, pelo menos nesta partida.
Temos uma finalista e provável campeã. A Espanha. Veio para a Copa como grande favorita, e confirmou o prognóstico - alguém lembra de outra seleção que chegou à África com o mesmo status? - Essa seleção já está de folga em casa há 2 rodadas, com técnico demitido, bodes expiatórios, etc.
Mesmo na derrota para a Suíça, a superioridade espanhola foi absurda sobre a adversária. Apenas contra o Paraguai a Espanha se viu em algum perigo, na verdade o Paraguai foi até melhor, a meu ver, mas a maior categoria espanhola prevaleceu.
A partir do gol, a arma alemã - o contra-ataque - virou contra ela mesma. Aos 33', Villa quase ampliou, mano a mano contra Mertesacker. Aos 37', Pedro foi "fomera", e dois contra um, estando Niño Torres sozinho, quis mais um drible e fez a Fúria perder um gol feito. Deixou de fechar o caixão alemão, e isso sempre é um risco, que afinal não se concretizou, pois quando entrou Mário Gomez em campo, lembrei o Mario Gomes, o centroavante Luca de Vereda Tropical, que jogava no Araruama, e aí a estratégia alemã virou uma comédia pastelão.
Resumo da ópera - 13 chutes espanhóis contra 5 alemães; bola no pé, pouquíssimos riscos corridos. Enfim, um baile. A Alemanha passou vergonha, não viu a bola; ou melhor, a viu nos pés espanhóis, e uma vez em suas redes, balançando o capim no fundo do gol de Neuer (copyright Silvio Luiz). A Alemanha hoje foi o Araruama.

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