NASCEU CAMPEÃO

Tu és a glória dos teus fundadores

23 de jun de 2011

GLÓRIA E FRACASSO: A HISTÓRIA DE UMA PAIXÃO, por ALEXANDRE PERGER

Finalmente li, agora que gozo merecidas (ou não) férias, a obra de Alexandre Perger sobre o JEC:  Glória e Fracasso: a história de uma paixão.
Primeiro, é de se dizer louvável a iniciativa de se fazer uma obra sobre o Joinville Esporte Clube, e acho que é o o primeiro livro exclusivo sobre o Tricolor. Parece que há um do Anderson Miranda, mas eu não conheço - falha minha.

É possível também fazer alguma pesquisa no Livro "Show de Bola: a História do Futebol em Joinville e Santa Catarina", de Edson dos Santos, que traz dados resumidos sobre todos os campeonatos jogados em SC de 1910 a 2003, mas não há muito mais do que isso. É necessário recorrer aos jornais e à memória viva do Clube, de que falarei no último parágrafo.
O formato e a diagramação do livro ficaram muito bonitos, a edição é bem feita, com disposição do texto em colunas e o livro é mais largo do que alto, invertendo a lógica adotada nos volumes tradicionais.

PROBLEMAS:Isto posto, a meu ver o livro tem alguns problemas, que não tiram, contudo, seu mérito. Há erros de português indesculpáveis (imprencindível, por exemplo), gerundismo, alguns atropelos na cronologia, erros de digitação. Coisas simples que um revisor poderia ter evitado. O tom pessoal às vezes se sobrepõe ao conteúdo informativo.
As fotos retratam um período curtíssimo da história do JEC, em que aparecem Claudemir, Carlinhos Santos umas quantas vezes, e até o esquecível e esquecido Eder. A meu ver, só há uma fotografia relevante no livro, que é aquela que retrata a frase pichada nos muros da Arena, de que "A Série C é obrigação". Aposto que há um acervo fotográfico imenso a ser pesquisado, e está oculto por aí.
O LIVRO EM SI:
No primeiro capítulo "apresentação" o autor faz um resumo de suas experiências no estádio, das vitórias contra Marcílio e Criciúma, em 2000 e 2001, e resume o recente  período de derrotas pela série B, série C, Catarinense, etc. Trata da crônica falta de dinheiro - diz que em 2000 só tínhamos um patrocínio, e de 15 mil. Ataca a gestão Bartholi, corretamente, ao dizer que "ele pegou o Joinville na Série B e o deixou sem série", bem como pega no pé em razão da intromissão da política no clube, principalmente dos erros crassos do então prefeito Tebaldi e sua trupe.
Em "os antepassados", fala brevemente de Caxias e América, que ganharam 8 títulos catarinenses, mas estavam falidos quando da sua fusão que originou Tricolor.
Em "o nascimento" esmiuça as tratativas para a união dos elencos profissionais do Galo e do Gualicho, trata dos pioneiros que ficaram a frente do projeto, com destaque para João Hansen Junior, fala de nosso eterno presidente Waldomiro Schutzler, e dá a impressão que o JEC nasceu com o apoio da comunidade joinvillense (apoio hoje que é, no máximo, de parte de nossa comunidade). Menciona o primeiro título, conquistado no Estádio do América, menciona o carnê JEC Ouro, que por 12 anos foi nossa fonte maior de renda (chegou a 30 mil compradores, segundo o autor)
Em "a hegemonia", o autor fala de nosso período áureo, do octacampeonato, de grandes times, de o maior salário do clube ser de dez salários mínimos (pouquíssimo)- para o Nardela. Em "o título isolado", falou de 1987.

Em "agora a festa acabou", discorre sobre a perda da hegemoina, do fim do "JEC OURO", da falta de estruturação do Clube [pra variar apenas fazíamos times, o clube estava desorganizado, vivia em casa alheia - o Ernestão], a dependência dos bingões, a saída de Waldomiro e a chegada do atrapalhado Vilson Florêncio (cita o episódio de 1996, em Chapecó), a ingratidão para com nosso eterno presidente Schuetzler.

Em "uma nova era" elogia a construção do CT, por Florêncio, e abraça a tese esposada por Vogelsanger de que a partir desse momento, mesmo em dificuldades, começa a ser formar a torcida do JEC, pois até então o que havia eram espectadores de um time vencedor, Relata a debandada dos empresários que ajudavam o JEC após a saída de Waldomiro. Relata melancolicamente a década de 90 e início deste século.
Em "os apaixonados" faz um apanhado das torcidas organizada que o JEC já teve, e conta a história da relação de alguns torcedores com o Tricolor.
Trata ainda, superficialmente dos números do JEC, e faz uma crônica apaixonada do Ernestão [quem não tem saudade?], encerrando a sua obra.
 Só posso crer que a "história de uma paixão" seja a história da paixão de Alexandre pelo JEC - o que não é pouco. O problema é que na contracapa, a obra é anunciada como um livro que busca "resgatar os principais momentos decisivos dos 33 anos de vida do Joinville Esporte Clube". Infelizmente esse objetivo a obra não alcança.
Não quero ser tachado de chato ao apontar alguns pontos que poderiam ser melhores no livro; pelo contrário, tais vícios só fazem ressaltar o mérito de Alexandre Perger, estudante de jornalismo que escreveu a obra. Com muito pouco dinheiro, captado junto ao Município e Estado, produziu uma boa reportagem sobre o JEC.

Há muito a avançar na pesquisa (e escritos) sobre a história do Tricolor. E urge que se faça, porque a história viva de nosso Clube ainda está por aí. Acredito que todos os presidentes ainda estejam vivos (de vez em quando vejo o Waldomiro Schuetzler pela rua, e fico, de longe, o admirando), e outros dirigentes importantes também (Virmond, Sagaz, Fontan, etc.) estão a nosso redor. Infelizmente João e Cau Hansen já se foram. O Giuliari também já morreu, e teria de ser ouvido - quem se habilita a freqüentar uma mesa branca?
Muitos dos radialistas que acompanharam o surgimento do JEC continuam na ativa (França, Mira, Marco Antônio, Maceió, Ricardo Passos, entre outros).
Ex-jogadores importantes se reúnem vez em quando, muitos moram por aqui, e outros, dada a facilidade dos meios eletrônicos poderiam ser contactados.
Seria importante uma obra de maior vulto, com maior foco historiográfico (a obra de Perger, como ele mesmo diz, é um livro-reportagem - e nisso não vai demérito, só a distinção entre uma e outra coisa), e que aproveite além das fontes escritas - jornais, principalmente, e os arquivos do clube - fontes orais que ainda estão por aí, mas não se sabe por quanto tempo. Quem se habilita? NÃO PERCA A MEMÓRIA, JEC!

14 comentários:

  1. Parabéns pelo blog. É sempre de uma leitura agradável e com conteúdos interessantes, seja do ponto de vista histórico ou do ponto de vista crítico.
    Só uma ressalva: não tem como mudar esse layout? Sempre que me concentro em um texto, passo a próxima meia-hora enxergando tudo verde. Acho que esse vermelho gritante machuca os olhos rsrs.
    Só uma dica/sugestão.
    Abraços!

    ResponderExcluir
  2. Gostaria de registrar que essa é a melhor crítica sobre o meu livro que li até agora. A mais bem embasada e com argumentos relevantes. Obrigado por prestigiar meu trabalho. Abraço.

    ResponderExcluir
  3. Jequeano,

    A Equipe do SouJEC - com o apoio da Diretoria do JEC, tem um amplo projeto de resgate, organização e preservação da história do Joinville Esporte Clube.

    Esse projeto envolve a edição de livros, a produção de vídeos-documentários e a organização de uma enciclopédia multimídia colaborativa sobre o clube (conheça o projeto: www.jecpedia.com.br).

    O ápice deste projeto será a inauguração do Museu Joinville (conheça o projeto: www.museujoinville.com.br).

    Importante destacar que os projetos culturais desenvolvidos pela Equipe SouJEC NÃO tem fins lucrativos.

    Todas as receitas geradas por este projeto serão direcionadas exclusivamente para o clube.

    Outro detalhe importante: todas as iniciativas culturais do SouJEC são auto-financiadas.

    Em princípio, não aceitamos nenhum recurso financeiro do clube para viabilizar estas iniciativas (pelo menos durante este longo e difícil período de recuperação do clube).

    A Equipe do SouJEC - bem como o clube - também estimula quaisquer outras iniciativas - individuais ou coletivas - tendentes a preservar a memória do clube. Uma prova disso é que o principal canal de vendas do livro do Alexandre Perger é a própria Toca do Coelho, bem como a loja virtual do clube.

    Por fim: a Equipe do SouJEC está aberta à participação de quaisquer tricolores nos esforços de resgate, preservação e divulgação da gloriosa história do Joinville Esporte Clube.
    Contatos pelo e-mail: soujec@soujec.com.br.

    Se preferirem estrar em contato diretamente com o clube, utilizem o e-mail fernando@jec.com.br.

    Abraço,

    Equipe SouJEC

    ResponderExcluir
  4. Alexandre, que bom que não ficaste chateado com as críticas, pois elas nunca foram maldosas. Li com grande prazer teu livro, e os probleminhas que apontei perdem de muito das qualidades encontradas em tua obra. Parabéns mais uma vez, e que bom saber que lês este blog.

    Seu Zé, o layout vai ser esse mesmo. o fundo do JEC e o logo devo ao Thales que me mandou os arquivos. E o vermelho, infelizmente, é uma das cores do Tricolor. Ademais, dentre as opções do blogspot, achei essa mais a cara de nosso clube.

    Quem se habilitar a falar sobre o JEC, procure o soujec. O clube, como se vê, vende o livro do Alexandre. Ótima iniciativa

    ResponderExcluir
  5. Bocão - André Budal.23 de junho de 2011 22:30

    Não li o livro, mas achei muito boa a crítica pois parece-me verdadeira e construtiva.
    Concordo com o MV de que foi na década de 90 que surgiram os primeiros jequeanos. Talvez por ser a época em que atingiram a maioridade as pessoas que nasceram quando o Jec já existia. Assim, não tinham nenhum amor por outro clube anteriormente ao Jec.
    Nesse aspecto concordo com o Cacá Martan quando ele diz que tem o direito de torcer para o Flamengo e Palmeiras pois já torcia antes do Jec aparecer e que o Mira pode torcer pro Corinthians e Vasco pelo mesmo motivo. Tudo bem que acho mesmo que eles são umas baita dumas vadia! Vai ter tanto amor assim lá na champagne...
    Se não me engano antes dos anos 90 nem havia sequer a denominação de "jequeano" pra quem torcia pro Jec, o seu getílico (coisa linda!). Lembro que havia uma discussão se era joinvilense, jequense ou jequiano. Corrijam-me os mais velhos caso minha pouca idade me traia (Comecei a ir nos jogos em 95 com 12 anos de idade).
    É irônico que jequianos natos tenham surgido nas vacas magras. E sabemos que na pior situação é que a coisa tem se avolumado e com mais vigor. Incrível.

    Anônimo, vou discordar mais uma vez de ti. Acho que os projetos do SouJec deveriam ter fins lucrativos, sim. Como projetos tão legais, pertinentes e dignos de um grande time que almejamos ser poderão perpetuar sem investimentos? Não haveria como. A lucratividade proporcionaria investimentos contínuos em manutenção, expansão e melhorias.
    Isso tudo com o licenciamento da marca Jec pelo clube, que lucraria também.
    Acredito que o Jecpedia não pode ser apenas um projeto voluntário. Deve-se ter uma equipe de uma ou mais pessoas contratadas para realizar os trabalhos e trazer resultados. O sistema operacional Linux é assim. Boa parte de voluntários ajudam e organizações formais têm seus profissionais para levarem os projetos à frente.
    Se eu acho isso do jecpedia, imagina se não deveria ser assim o museu Joinville. Aquele projeto é excelente. Mas não sairá do papel nem se manterá sem profissionalismo. É algo muito arrojado e que merece muito mais que um investimento inicial e parar por aí. Sabemos que algo deste tipo deve estar se inovando constantemente. Senão ficará às moscas.

    Finalmente, é preciso dizer que digo isto sem saber os projetos gerecialmente, mas seu comentário me fez pensar nisto.

    Abraço!

    ResponderExcluir
  6. Bocão - André Budal.23 de junho de 2011 22:35

    Como através da escrita não se pode saber se estou falando coisas de brincadeira, preciso dizer que brinquei quando chamei Cacá e Mira de vadias. Vai que alguém fica p#$o comigo.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  7. Desculpe, mas o jogo hoje foi simplesmente ruim. Aplaudi o time na entrada e saída do campo, logicamente, mas, não sei se eu sou muito exigente, ou o time estava desmotivado, sei lá, mas foi muito ruim.
    Alguém aí discorda?

    ResponderExcluir
  8. No primeiro tempo saiu alguma coisa de bom, mas o segundo foi desestimulante. Acho que o JEC vai conseguir a vaguinha na final, mas precisa mesmo evoluir um quilômetro e meio até a série C.

    ResponderExcluir
  9. Sandrão - JOINVILLE24 de junho de 2011 08:27

    Fui, vi e não gostei!
    Gostei de 2 coisas:
    Do Lima ter entregado a bola para o Ramon bater o penalti e no intervalo quando questionado, falou que fez isso porque não se sentia seguro para o cobrança da penalidade naquele momento. Coisa de jogador maduro!

    Gostei da primeira frase do Arturzinho ao final do jogo, quando declarou que "só o resultado do jogo é que foi bom". Ou seja, ele tá ciente de que o time venceu mas não convenceu, e que portanto, há muito o que se fazer ainda.

    Fui no jogo com minha nova camisa retrô, e me senti um alien.. rsrs... todo mundo fica secando minha camisa... hahahaha

    Sds aos amigos!

    ResponderExcluir
  10. Bom dia a todos, gostei do primeiro tempo e no segundo pintou aquela apatia, Ricardinho deu pra bola, Jailton e Tiago Real no banco, haja paciência, mas tudo bem, espero que ate a Serie C isso mude.
    Tambem fui de peita nova, aquela do treino, muito massa e de quebra comprei pra minha filhinha uma tricolor pequena, hehehe, vamos incutindo na criança esse sentimento pelo nosso JEC.
    No mais, Vamo pra Final JEC, Sds Tricolores

    ResponderExcluir
  11. Dacio, se nosso time fosse bom mesmo não precisaríamos ter que incutir sentimentos, mas tudo bem, somos jequeanos. Hehehehe, brincadeira.

    ResponderExcluir
  12. Pois é André, pior que estás certo, mas ainda vamos ver grandes jogos na Arena, seja na "B" ou na "A", só nos resta esperar e torcer para que a atual situação mude pra melhor.
    No mais, Somos Jequeanos e não desistimos nunca, rsrsrsrs, Da-lhe JEC, Sds Tricolores.

    ResponderExcluir
  13. Agora é meter mais 4 bagas nas bruschetas na Arena e depois vencer na marrecolândia. E o mais importante, chegar com o time ajustado na série C.

    ResponderExcluir
  14. Quem sabe metemos mais quatro lá no Augusto Barro, digo, digo, Bauer.

    ResponderExcluir